Transplantes de órgãos na Bahia caem 40% durante a pandemia

A pandemia do novo coronavírus trouxe reflexos negativos no número de doações de órgãos e tecidos no país, no primeiro semestre deste ano. A média de redução no Brasil é de pouco mais de 40%, e a Bahia seguiu a média nacional. De janeiro à primeira quinzena de julho 2019, a Bahia realizou 379 transplantes. Este ano, no mesmo período, apenas 293 procedimentos do tipo foram realizados.

No estado, a redução dos transplantes de córnea é a que mais chama atenção. Se em um mês eram feitos 50 procedimentos, agora foram reduzidos a cinco. Os transplantes de fígado também tiveram redução de 40% no estado, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Os dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de órgãos (Abto), ontem, se referem ao 1º semestre de 2020.

No Brasil, o número de transplantes de córnea caiu de 7.112 no primeiro semestre do ano passado para 3.963 no mesmo período deste ano, correspondendo a uma queda de 44,3%. A Bahia superou a redução nacional. Entre janeiro e a primeira quinzena de julho do ano passado, foram feitos 301 transplantes de córnea no estado. No mesmo período deste ano, foram apenas 141, o que representa uma redução próxima aos 50 %.

De acordo com a coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes, Rita de Cássia Pedrosa, o número reduzido dos transplantes de córnea reflete a recomendação do Ministério da Saúde no mês de abril, orientando a suspensão desse procedimento, salvo em casos de urgência.

Ainda de acordo com a coordenadora, houve queda do número de transplantes de todo tipo. A taxa de redução em transplante de fígado variou em torno de 40%. No 1º semestre de 2019 foram 23 transplantes, neste ano, 15. Os transplantes de rins foram 137 em 2019, contra 121 este ano. A queda foi de 10%, número inferior à redução da média nacional, de 40%.

Na Bahia, 800 pessoas aguardam por um transplante de rim. Outros 550 pacientes esperam por uma córnea e cinco pacientes aguardam por um fígado. O número de pacientes na fila de espera por um fígado é reduzido, mas isso não é um bom sinal. Segundo a coordenadora, isso acontece porque a maioria dos pacientes vão a óbito antes que surja um doador, além da descoberta tardia da necessidade de transplante. “Num estado do tamanho da Bahia, em muitos municípios do interior não há condições de se fazer um diagnóstico precoce. Não por falta de atenção básica, e sim por que às vezes as pessoas não têm conhecimento de que a doença é grave. Quando procuram o médico, já estão em um grau em que não há mais o que fazer”, disse.

O vigilante Joseval Souza, 42 anos, passou por um transplante renal no ano passado. Foram dois anos na fila de espera. Atualmente, ele faz questão de levar o conhecimento da importância que o transplante teve em sua vida. “É um alívio muito grande. Esse é um grande gesto de ajuda ao próximo. De fazer o bem sem olhar a quem. Hoje minha vida é outra. Aprendi que nós não somos nada além de um grão de mostarda. Mas se cada um fizer um pouco, o mundo vira outra coisa”, contou.

A coordenadora do Sistema de Transplantes lembrou que a única maneira de se tornar um doador de órgãos é comunicando este desejo para os familiares.

*Sob a coordenação da jornalista Hilcélia Falcão

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