Publicado em 19/04/17 - 00h00min, Fonte: Estado

Poltica industrial para montadoras vai beneficiar carros menos poluentes

Portal Itabatã News informa: Poltica industrial para montadoras vai beneficiar carros menos poluentes

BRASLIA -Com taxa de ociosidade acima de 50% de seu parque produtivo e respondendo por 22% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial, a indstria automobilstica comeou a discutir ontem com o governo uma nova poltica para o setor. Est em construo o sucessor do Inovar-Auto, que acaba em 31 de dezembro.

Entre as propostas est um novo sistema de cobrana do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automveis. Em vez das cilindradas, como hoje, poder ser adotada como critrio a eficincia energtica. Motores mais econmicos recolheriam menos imposto.

Foto: Washington Alves/EstadoVeculos

22% a participao atual da cadeia automotiva no PIB industrial

“Queremos desenhar um programa que v alm dos ciclos polticos”, disse Igor Calvet, secretrio de Desenvolvimento e Competitividade Industrial do Ministrio da Indstria, Comrcio Exterior e Servios (Mdic). O programa, batizado de Rota 2030 e lanado ontem pelo ministro Marcos Pereira, vai fixar metas para as indstrias de automveis e autopeas, com o objetivo de colocar o Brasil como um dos seis grandes centros produtores de veculos no mundo nesse horizonte de tempo.

Competio.Para isso, ser necessrio investir pesado em pesquisa e desenvolvimento. O Brasil no tem, por exemplo, produtores de conjuntos de eletrnica embarcada, uma tendncia cada vez mais forte na indstria automobilstica mundial.

O Rota 2030 ter um plano chamado Indstria Competitiva, que vai qualificar os fabricantes de autopeas. Em trs eixos, vai atuar nos problemas existentes na cadeia de fornecedores j instalada, estimular a chegada de novos fornecedores para ocupar lacunas identificadas pelas montadoras e atuar junto com as montadoras na busca de novas solues tecnolgicas.

Esto tambm em discusso alteraes na regulao do setor. Uma delas federalizar a inspeo veicular, tarefa hoje desempenhada por Estados e municpios, para retirar de circulao veculos mais antigos. Estima-se que estejam circulando no Pas mais de 250 mil caminhes com mais de 30 anos.

Alm da tributao e de medidas na rea regulatria, o Rota 2030 tem um conjunto de iniciativas na rea de informao ao consumidor. Uma delas que os veculos passem a ter “nota” conforme questitos de segurana. As montadoras j so obrigadas a etiquetar os carros com conceitos de A a E para a eficincia energtica, informando quanto o carro percorre por litro de combustvel, e tambm o volume de emisso de dixido de carbono. A ideia ter um plano fechado at 30 de agosto.

Ainda no h soluo proposta para os fabricantes de veculos de luxo que se instalaram no Brasil a partir do Inovar-Auto. OEstadomostrou, no domingo, que eles tm muita capacidade ociosa e a ideia de desinvestimento est no radar. “Essa uma pergunta de bilhes”, admitiu Calvet. O governo considera importante manter essas fbricas, por seu alto nvel de investimento tecnolgico. Porm, no pode criar um regime especial. A tendncia que sejam contempladas com alguma regra transitria, at que o mercado brasileiro se recupere.

Crise.O Inovar-Auto foi lanado em outubro de 2012 e, de l para c, a produo de veculos caiu 42% e ocorreram 35,9 mil demisses s nas montadoras, por causa da crise econmica.

As montadoras no comentaram o programa por consider-lo ainda embrionrio. A avaliao preliminar que as discusses esto na direo correta, ao escolher a eficincia energtica como eixo para a nova poltica. A etiquetagem para segurana tambm vista como correta.

O presidente do Sindicato Nacional da Indstria de Componentes para Veculos Automotores (Sindipeas), Dan Iochpe, disse que o novo programa parece ser um regramento de mais longo prazo com enfoque em eficincia energtica, emisses, segurana e conectividade. Ele criticou os resultados do Inovar-Auto. “Para as autopeas, o resultado foi o dficit na balana comercial.”

Aps frisar que no tem compromisso em defender a concepo do Inovar-Auto, uma criao do governo anterior, Calvet disse que o programa rendeu dividendos importantes. O principal foram os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, que somaram R$ 13 bilhes no perodo. O Brasil tambm passou a contar com laboratrios de teste de primeira linha.